quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Você não é Santo!


Na minha experiência religiosa de criança até hoje, aprendi uma coisa que me fez levar a vida de forma muito mais leve, com menos cobrança e mais saudável (sim, estou falando de saúde mesmo) sem me sentir um pecador digno do inferno...

Quando tomei a responsabilidade sobre a minha vida religiosa, eu ouvia os discursos nos púlpitos da vida que falavam sobre os mais variados temas voltados ao comportamento ideal, relacionamento ideal, adoração ideal, pregação ideal, caridade ideal... Tudo ideal. Na ignorância de um adolescente, buscava sempre o ideal, ou como prefiro dizer, a perfeição. Os exemplos que me eram trazidos invariavelmente eram de pessoas ilustres, os pontos fora da curva, o que me fazia crer que tínhamos que ser iguais a eles... [pausa]... Isso é só comigo?

Os anos se passaram e a frustração foi aumentando cada vez mais e inevitavelmente fui me sentindo cada vez mais pecador a ponto de me questionar o porquê de eu me esforçar tanto, pois sempre acabava sofrendo, reprimindo coisas que traziam cada vez mais problemas, não só de ordem psicológica, mas emocional e física!

Dentro dos templos da vida, "pessoas más" partilhavam do convívio, fazendo maldades de diferentes formas e eu ia me sentindo obrigado a conviver com essas pessoas e aturar as maldades... "tudo pelo amor", porque Jesus falou que devemos "amar os nossos inimigos"... [pausa] Será que sou o único?

Há alguns anos caiu a ficha sobre o tal "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo"... E é exatamente sobre o "amar a si mesmo" que eu refleti e cheguei a uma conclusão mágica! Conviver com pessoas venenosas, malvadas, não era pra mim e eu não sou obrigado! Eu estava me desrespeitando! Eu estava deixando de amar a mim mesmo! Porque eu não estava no estado psico-espirito-emocional elevado o suficiente para lidar com as maldades sem que eu alimentasse em mim sentimentos menos nobres, como raiva, mágoa, rancor, etc.

De repente a ficha caiu, me dei conta de que eu não preciso sair por aí morrendo de amores por todo mundo! Não sou Jesus, não sou Buda, tampouco Chico Xavier... E tenho consciência que até chegar no nível desses ícones ilustres, eu vou ter que penar bastante! Eu tenho que respeitar a minha humanidade e a condição que eu me encontro hoje!

Agora eu escolho as pessoas que eu quero estar do lado. Eu sou humano, um espírito ainda imperfeito e em evolução. Preciso aprender a lidar com as dificuldades de forma gradativa - tanto as minhas quanto a dos outros. Não quero ser perfeito da noite pro dia!

Depois que eu comecei a agir dessa forma, a minha vida ficou mais feliz, alegre, plena, saudável em todos os sentidos, tanto emocional quanto físico!

O Progresso é mais importante que a Perfeição!

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