sexta-feira, 3 de agosto de 2012

...Mas o mal que não quero esse faço


Quando nós abraçamos uma doutrina filosófica ou religiosa para nos ajudar a iluminar os caminhos da nossa vida, especialmente no início, criamos uma utopia de que vivemos ou viveremos em breves tempos em um mundo perfeito. O neófito é acometido de uma miopia psico-filosofico-espiritual, e pretende agir como alguém à parte da sociedade em que vivemos.

Há ainda aqueles que se reclusam em templos, procurando algo que, na visão da Doutrina Espírita, só é possível através do contato com o próximo. Procuram um conhecimento de si mesmos, mas não se colocam à prova com as dificuldades cotidianas a fim de verificarem se seu autoconhecimento é efetivo. Explico...
Para começarmos essa análise, é importante voltarmos a um dos conceitos basilares do Espiritismo, a Reencarnação.


Enquanto mergulhados na matéria, encarnados, procuramos praticar os melhores atos. Embora alguns de nós, com visão obnubilada sobre o que é o melhor, agimos egoisticamente, preterindo os que nos cercam, causando males psicológicos, emocionais ou sociais.

Todavia, nós também realizamos atos equivocados, seja consciente, seja inconscientemente. Esses atos equivocados não ficam "perdidos no espaço". Fazendo valer a Lei de Causa e Efeito que é a da ação e reação, somos impelidos a compreendermos essa experiência negativa que tenhamos feito a outrem. Essa experiência pode se dar na vida presente ou em vidas futuras, dependendo de quão conscientes estejamos perante a Vida para entendermos e repararmos nossos equívocos nesta mesma estrada, fazendo valer as palavras de Jesus, quando dizia: "Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão." (Mateus 5:25)

Porém, na maioria dos casos, não estamos tão despertos assim para nos perdoarmos e perdoarmos os nossos "adversários", levando para as próximas vidas tais conflitos, onde a bondade de Deus permite que nós experienciemos novamente um relacionamento com o "adversário" e valendo-nos do esquecimento temporário da última vida, tenhamos a oportunidade de regenerarmo-nos.

No plano Espiritual, onde a matéria não mais limita as percepções espirituais, podemos até entendermos todo o mal que fizemos. Arrependemo-nos, projetamos uma nova existência para que possamos consertar aqueles pontos nevrálgicos que ficaram gravados em nosso perispírito e voltamos a mergulhar na carne. Embora as experiências vividas no passado não fiquem na nossa consciência, ficam armazenados n nosso inconsciente profundo. E aqui é o ponto mais importante deste pequeno artigo... Continue lendo! :)

Como sabemos, muitas pessoas se valem de TVP (Terapia de Vidas Passadas) para recorrer às origens de diversos tipos de fobias e/ou traumas. Logo, concluímos que tais informações de vidas anteriores ficam conosco, no inconsciente profundo. Porém, não conseguimos acessar estas informações de maneira consciente, exceto quando "brotam" através de visões, sonhos ou por vias mediúnicas próprias ou de terceiros. (Veja alguns vídeos sobre lembrança de outras vidas)

Todas as virtudes e todos os vícios adquiridos no decorrer de nossas muitas existências ficam ali, guardadinhos. Os nossos impulsos mais primitivos, que ainda não foram resolvidos, ficam quase escondidos. Quando nos colocamos em contato com os outros, podemos instigar um acesso a essas informações mais profundas do nosso ser, que fazem parte de nós. Às vezes, comportamentos muito complicados afloram e mostramos o que realmente somos em essência - o mesmo acontece com as virtudes.

E aí entramos nós, neófitos dos assuntos Superiores, conhecendo as grandes maravilhas da Vida Maior, das Verdades Absolutas, quando nos deparamos conosco mesmo agindo de maneira equivocada, questionando como nós poderíamos agir dessa forma? Se nós estamos cansados de falar de amor ao próximo, caridade, bom convívio social, maturidade emocional e psicológica, etc.

Lembramos imediatamente das palavras de Paulo, quando disse: "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço." (Romanos 7:19)

Essas manifestações equivocadas agem como sombras escurecendo nosso Self. Tais sombras nos acompanham onde nós formos, nessa ou noutras vidas. Elas não devem ser reprimidas, e o exercício que devemos fazer para espargir a luz e dissipar as sombras é o Autoconhecimento. Conhece-te a ti mesmo, já repetia Sócrates.

O conhecimento de si mesmo começa em reconhecer as próprias limitações. Reconhecer-se como ser ainda em evolução, trabalhando para atingir um grau de elevação de perfeição relativa através da Caridade, do Amor, que é colocar-se em contato com o próximo, reconhecendo o próximo também como ser em evolução com suas fragilidades, que não são nada diferentes de nós. Tolerarmos, perdoarmos, aprendermos com todos os que nos cercam, assim como nos ensinou o Mestre Jesus.

Nós neófitos tentamos nos conhecermos, mas muitos de nós o fazemos de maneira errada, entramos em um estado de auto-culpa e auto-punição. E a culpa neste processo é paralisadora. Não nos permite avançar, muito pelo contrário, ficamos vibrando nas sintonias mais baixas do erro que cometemos, com sentimento de auto-piedade sem mover um quartz para frente, trazendo ainda mais complicações para nosso estado psicológico.

O auto-perdão é a ferramenta que nos ajudará neste processo. Perdoar a nós mesmos. Como já dissemos, somos humanos, falhos, erramos muito e continuaremos errando bastante. A diferença é que devemos andar para frente, deixar para o passado os erros cometidos, como lições aprendidas e não mais cometê-los.
Perdoando-nos, olhando para frente, conseguiremos chegar até o mesmo patamar evolutivo de Paulo quando disse em sua epístola aos Gálatas: "(...) vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim;" (Gálatas 2:20)