segunda-feira, 30 de abril de 2012

Reencarnação: Esquecimento do Passado



Em um diálogo entre dois amigos, onde um deles é Espírita, em qualquer canto do planeta:

- Me explica, pelo amor de Deus! Por que estou sofrendo tanto assim?
- Por que você deve estar quitando débitos do passado. Você pode ter feito alguém sofrer e agora está sofrendo. É a Lei de Causa e Efeito!
- Ah! Pera aí! Mal eu me lembro do que eu comi ontem no almoço, vou lembrar algo que fiz em outra vida? Não é justo! Eu estou sofrendo sem saber o porquê!

***


Muito comum este diálogo, quando tentamos obter explicações para nossas dificuldades que passamos na vida. Porém, por vezes, faltam argumentos para os adeptos da Doutrina Espírita de modo a elucidar de maneira mais assertiva o contra argumento, que quase sempre se dá nos mesmos moldes que é aprentado no pequeno diálogo acima.

O Espiritismo nos ensina que o esquecimento do passado está pautado dentro na misericórdia divina, pois se assim não fosse, nós ficaríamos muito deslumbrados com o que ocorreu no passado (L.E. Q. 392). E não precisamos ir muito longe. O esquecimento não é exatamente um problema, porque nós somos submetidos ao esquecimento o tempo todo. Quem de nós se lembra com riqueza de detalhes os dias escolares no jardim de infância ou ainda nas primeiras séries escolares? Não nos lembramos como aprendemos a ler, ou contar ou a falar, simplesmente sabemos que hoje sabemos ler, contar e falar, podemos ter uma ideia de como tudo nos foi ensinado, mas não sabemos exatamente com riqueza de detalhes. Então, já temos aí uma característica do próprio cérebro humano, que não consegue comportar tantas lembranças conscientes, embora elas fiquem muito bem guardadas no inconsciente.

Outra questão de bastante relevância que devemos observar é o problema em se lembrar de uma vida passada, caso fosse vulgar, sem um objetivo muito específico. Partindo de um princípio básico da Doutrina Espírita de que o Espírito está sempre em evolução, ou seja, jamais retrogada, no máximo estaciona, podemos concluir que podemos ter sido pessoas piores no passado em comparação com a nossa vida de hoje. 

Consideremos também outro aspecto Doutrinário importante. Temos a necessidade de encarnarmos normalmente no mesmo círculo de relacionamentos, com pessoas que podem nos ter sido muito queridas, mas também pessoas que não desejaríamos estar juntos, seja por qualquer razão, das mais triviais, até as mais graves, como as que envolvem mortes.

Seria de um grande problema para o Espírito encarnado, saber que receberia em seus braços um filho, que sabidamente foi em vida passada para ele um algoz? Alguém que lhe atrapalhou ferozmente a vida? O Espírito consegueria viver sua vida com o objetivo de ajudar aquele Espírito na sua escalada evolutiva? Dando amor, carinho, educação? Cumpriria a missão materna/paterna com a mesma desenvoltura que cumpriria caso desconhecesse esse caso? Creio que as respostas são sempre negativas nestas questões, a não ser em se tratando de um Espírito de escol, que é algo muitíssimo raro na nossa condição terráquea.

Com o esquecimento do passado, estamos sendo submetidos à Lei de Causa e Efeito, trazendo para nós uma responsabilidade de tentar de novo, como dizemos quando perdoamos uma pessoa, "botando uma pedra em cima", "passando uma borracha" e tentando mais uma vez. A diferença é que isso não é apagado, fica no inconsciente, porque as memórias do Espírito jamais se perdem. O esquecimento se dá devido a incapacidade do cérebro humano de obter todas essas questões de maneira fácil. Uma nova oportunidade de se reconciliar com os Espíritos do nosso convívio, aprendendo um tanto mais e desfazendo coisas ruins que ficaram no passado, para quando estivermos no plano espiritual já cônscios de tudo, possamos nos perdoar e continuarmos a Vida, desta vez com objetivos mais nobres e pautados no bem do trabalho conjunto e não para resgatar faltas cometidas.

Porém, para concluir, provavelmente você deve estar se perguntando: "Tá, tudo bem, isso tudo faz muito sentido, mas ainda sim eu continuo sofrendo e não faço a mínima ideia do motivo. E agora?"

Certamente você deve estar em mente com o exemplo que colocamos sobre aprender a ler, não é mesmo? Então, com relação à vida passada, podemos nos valer de uma figura similar. Partindo do princípio que estamos submetidos à Lei de Causa e Efeito, devemos considerar que todo o bem que fizemos receberemos algo de bom e o que fizermos de mal, receberemos algo que nos faça compreender o mal que impomos ao outro (ou a nós mesmos), podemos concluir  o seguinte, através do pequeno exemplo que irá ilustrar mais facilmente nosso colóquio, vejamos:

"Um homem viveu no século XVII, tinha uma vida abastada, e tinha grandes dificuldades no campo do roubo e do furto. Toda sua riqueza foi adquirida por meios ilícitos e, infelizmente, por ser portador de grandes valores, não foi submetido à lei humana e não foi condenado. Desencarnou bastante idoso, sem qualquer punição da justiça terrena.
Em chegando ao plano espiritual, onde nada é escondido, fazendo uma análise de sua existência anterior, teve sim algumas virtudes, coisas boas ele fez, porque ninguém é essencialmente mau. No entanto, sua deficiência deveria realmente ser tratada em próxima existência. Os amigos e mentores do homem recomendou que ele encarnasse em uma família de condição pobre, porém não miserável, que estudasse algo no campo das finanças e trabalhasse com muito dinheiro dos outros. 
Ele encarnou, cresceu, estudou Contabilidade e foi trabalhar em um banco, como Tesoureiro. Lidava o tempo todo com o dinheiro dos outros, em grandes quantidades, com grandes facilidades para "tomar emprestado" o dinheiro sem que ninguém percebesse.  

Dada a sua fragilidade moral, ele se sentia compelido a roubar o dinheiro do banco, mas como em seu planejamento no plano espiritual resolveu que superaria essa dificuldade, inclusive com o apoio dos amigos espirituais, não efetuou qualquer roubo. Conseguiu superar e ao desencarnar, ficou feliz, por ter avançado mais um degrau e eliminado mais uma inferioridade do seu ser."


No exemplo, o homem não se lembrava de qualquer fato de sua vida passada, mas sentia uma angústia toda vez que tratava com muito dinheiro e sentia muita vontade de pegar para si. O que ele fez foi resistir, porque tinha determinado para si que aquilo era errado.

Como nós podemos então saber porque sofremos? Não podemos! Exceto se algum espírito nos falar por vias mediúnicas ou façamos terapia de vidas passadas. O que podemos fazer é concluir que muitas dificuldades que passamos, certamente têm algo a ver com vidas passadas. Alguma coisa que nós precisamos ter forças para superar, para vencer e não mais errar novamente.