quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Bíblia e o Espiritismo

Eu vim de um lar evangélico protestante, como alguns de vocês sabem. E é comum as pessoas afirmarem que a Bíblia é a palavra de Deus, única e infalível. Mas, será que é mesmo?

Conversando certa vez com um colega, ateu, sobre determinados pontos religiosos, eu ainda sendo evangélico protestante, ele chegou ao ponto de dizer:

- Ramon, não me leve a mal, mas eu não acredito em um deus que você diz ser só amor, mas que lá na Bíblia mata todos os primogênitos, mata todos os habitantes de uma cidade, etc. etc.

Certamente eu não soube o que dizer. Eu acreditava na Bíblia como “a” palavra de Deus. Não me dava o trabalho de analisar tudo o que estava escrito lá sem aquele dogmatismo religioso, sem a influência das explicações que eu usualmente escutava nas igrejas sem passar pelo crivo da razão, por medo talvez.

Com o passar do tempo, a gente vai amadurecendo, naturalmente, e vai perdendo o medo de ser castigado por Deus, de ir para o inferno, e começa a ficar mais ousado para questionar, pesquisar, entender e raciocinar sobre as informações chegam até nós, pois sentimos que a vida, Deus, Espírito é algo muito mais amplo, mais complexo do que uma simples explicação de céu e inferno.
O meu colega tinha razão? Não de todo, mas de certa forma sim. Mas a questão é que devemos entender uma coisa muito importante quando lemos a Bíblia. Ela não pode ser lida por qualquer pessoa despreparada, desinformada, pois pode causar estragos psicológicos muito profundos na alma do homem. Pode até levar gente pra fogueira!

O velho testamento tem milhares de anos. Naturalmente a cultura dos povos há três ou quatro mil anos não era a mesma que a nossa, e nem a evolução espiritual. As coisas eram entendidas de formas diferentes, os costumes eram diferentes, a religião era diferente! A Bíblia, portanto, foi escrita para o entendimento daqueles povos. Da mesma forma é o novo testamento, mas esse tem um “quê” especial. Ah, e sem falar das modificações que as palavras da Bíblia vem sofrendo ao passar dos séculos, seja por falta de correspondente na língua traduzida, seja por modificação proposital para atender as exigências de determinado grupo. Não, a Bíblia não é “a” palavra de Deus, como muitos pensam. Ela não foi Escrita por Deus. Ela foi escrita por homens, como nós, que deixaram o registro das passagens importantes do antigo povo judeu pela Terra, alguns mártires e, é claro, do Mestre Jesus.

Se pensarmos em velho e novo testamento, estamos em uma contradição sem precedentes! Por que Deus no velho testamento era terrível, matava nações caso se aborrecesse e no novo testamento Jesus Cristo já nos dizia exatamente o oposto!? Que Deus era amor, pura misericórdia, pura sabedoria? Deus muda? Será que o Deus do velho testamento é diferente do Deus do novo testamento? Óbvio que não.

Deus não castiga, não mata, não é injusto e tampouco é cruel! Quem se castiga somos nós mesmos, quem mata uns aos outros somos nós, que é injusto somos nós e quem é cruel é o homem com ele mesmo, ainda muito inferior no estágio evolutivo que nos leva a perfeição. Jesus Cristo, foi o homem que melhor explicou a essência de Deus não com palavras ou com ameaças, mas com atos de amor, carinho pelos irmãos mais novos, estes que ainda precisam de luz para chegar ao “Céu”, chegar à Vida Maior.

Não entrando no mérito das interpretações dos pontos citados acima, para encerrar este artigo relacionando a Bíblia e o Espiritismo, podemos parar para analisar com mais cautela, levando em consideração todos os tópicos citados. Muitas pessoas condenam o Espiritismo usando uma fonte de informações que desconhece. Não leva em consideração época, cultura, pessoas, falhas de tradução, modificações propositais, não se dão nem ao trabalho de saber o que é o Espiritismo para poder criticar! Examinar a Bíblia, não é uma tarefa para qualquer um, muito menos quando se quer utilizar argumentos para denegrir a imagem de outra fé religiosa. A Bíblia não é para isso. A Bíblia é uma rica fonte de informações culturais, de passagens lindíssimas de grandes mártires da humanidade mostrando o exemplo do amor, da caridade, da confiança em Deus e não para explicar religião A ou B. É para pegar esses lindos exemplos, como de Jó, de Paulo, de Moisés, de João Batista, de Jesus Cristo, Paulo, Pedro, Estevão, etc. e seguí-los, incorporá-los na nossa vida e nos tornarmos pessoas melhores, independentes se somos judeus, evangélicos, católicos ou espíritas!

O Espiritismo, por sua vez, é uma Doutrina Consoladora, conforme anunciada por Jesus Cristo, na Bíblia, para os tempos vindouros. É a Doutrina que veio nos falar das maravilhas do Infinito sem ser por parábolas. Não foi dito anteriormente porque os homens não tinham capacidade para entendê-lo – pelo menos os judeus –, pois os Egípcios já sabiam bastantes coisas que nós só hoje aceitamos (nem todos) com naturalidade. O Espiritismo esclarece à luz da razão, não impondo a fé em algo pela confiança que se tem no líder religioso, mas pela análise minuciosa de todos os aspectos da vida.

Não é a Bíblia que explica o Espiritismo, mas é o Espiritismo que deve explicar a Bíblia.