quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O Esquecimento do Passado

A reencarnação, embora bem antiga e comprovada biblicamente, é um assunto que veio a luz da consciência dos ocidentais há pouco mais de 150 anos quando Allan Kardec compilou as obras da Doutrina Espírita, obras estas que agregam assuntos doutrinários de cunho moral e novos assuntos da espiritualidade que antes eram conhecidos apenas por parábolas e parcamente compreendidos. Muitas são as dúvidas que circundam esse tema onde uma delas é: "Se existe a reencarnação, como nós não nos lembramos do que fomos nas vidas anteriores a fim de não cometermos os mesmos erros na vida presente?". E a resposta desta pergunta é o desenvolvimento deste artigo. Preparado?

Para os que chegam agora, antes de tudo, sejam bem vindos! Eu escrevi um artigo que fala sobre a reencarnação - Reencarnação: uma questão de Justiça. Este artigo explica de forma simples, didática e com referências (inclusive bíblicas), alguns aspectos que provam a reencarnação. Sendo assim, aconselho que leia o artigo citado anteriormente para melhor compreender o que desenvolveremos aqui.

Todas as vezes que nos desfazemos do envoltório material voltamos à nossa vida real, a espiritual. Lá temos consciência de todo o nosso passado. Sabemos se a nossa última reencarnação avançou ou estacionou na escala da evolução. Sabemos das nossas últimas reencarnações e do proveito que tiramos delas. Assim, podemos refletir se estamos avançando ou estamos estacionados no caminho da evolução. Este caminho requer esforço, reforma íntima e muito amor.

Quando voltamos, temos que reparar as nossas faltas passadas, mas no nosso estado atual de evolução não nos é permitido saber a causa da nossa expiação, pelo menos não conscientemente. Para que saibamos o que corrigir, nós escolhemos, ainda na espiritualidade, as provas e expiações que iremos enfrentar durante encarnados para reparar as nossas faltas ou para provarmos a fim de evoluirmos. Essa escolha se dá de acordo com o grau de evolução de cada um de nós espíritos que somos. Se possuirmos o desejo de evoluir, procuraremos os meios adequados e suscetíveis para alcançarmos o nosso objetivo. Como estamos em um grau muito baixo da escala evolutiva, as lembranças se dão de acordo com as intuições que recebemos que podem ser tanto para o bem quanto para o mal. Podemos notar isso quando somos tendenciados a fazer algo errado e a nossa, o que chamamos de índole, fala mais alto, convencendo-nos a não seguir tal caminho. Acreditamos muitas vezes que tal comportamento veio de nossos pais, que de fato veio, porém fomos nós que escolhemos isso quando estávamos na espiritualidade. Isso mesmo! Nós escolhemos até os nossos pais que contribuiriam para a nossa evolução. Se para as inclinações más temos tendências que nos ajudam a evitá-las, por que não teríamos também para as influências do bem?

A lembrança de todo o nosso passado pode nos ferir se tivemos comportamentos muito ruins que nos colocaram numa condição pior na vida atual. O esquecimento vem como a bondade de Deus para nós. Da mesma forma se fomos alguém de muito boa condição e hoje temos condição muito ruim, isso poderia ou atiçar o nosso orgulho ou nos deixar depressivos... Muitas pessoas, infelizmente, ainda se prendem muito no passado. Saber o que se foi nas vidas pretéritas só é útil quando se tem um objetivo muito nobre, caso contrário, devemos trabalhar para não termos surpresas desagradáveis ao fim da vida.

Da mesma forma que pessoas infelizes prendem-se no passado, as mais digamos "abertas", visam o futuro e o constroem com base nas lições aprendidas anteriormente. Isso não é ainda o nosso estado atual, pelo menos não de boa parte das pessoas. Prendemos-nos até no passado da nossa vida atual, imagina de outras vidas, que caos não seria? Mas existem espíritos de esferas mais avançadas, onde a matéria é menos densa e a moral muito mais elevada, que Deus lhes concede o privilégio de ter uma visão mais ou menos clara da suas vidas pretéritas a fim de aperfeiçoarem os seus caminhos para alcançarem os seus objetivos. Galgarem o caminho da evolução de forma mais direta e com menos impasses. Mas isso é um presente àqueles que conseguem atravessar essa fase que nos encontramos com força, determinação e muito amor a Deus e ao próximo. A lembrança do passado para eles de nada tem de atormentador, visto que são muito mais à frente de nós. Lembram-se do passado como um sonho ruim que contribuiu muito para o seu avanço.

Temos que ressaltar um ponto importante. Tudo o que aprendemos, jamais é esquecido. Na pior das hipóteses fica em estado latente em nossa mente, mas nunca perderemos o conhecimento adquirido, por isso que nunca regredimos. Sendo assim, o esquecimento não é do conhecimento adquirido, mas dos fatos bons ou ruins que vivenciamos. O conhecimento está sempre em nós. Podemos ver isso através das diversas características que moldam um homem desde a sua meninice. Uns mais inclinados ao bem, outros ao mal, outros ainda com vocações especiais para a música, outros para matemática e assim por diante. É o chamado conhecimento inato. Para nós, não importa nem com quem, nem como aprendemos as coisas, o que importa é que aprendemos e, se for bom, devemos colocar em prática. Você se lembra com quem e quando aprendeu a somar, multiplicar, dividir e subtrair? Lembra-se como aprendeu a ler? O que importa na verdade é que você já sabe. Da mesma forma é com o conhecimento adquirido em vidas pretéritas.

Este assunto é bem vasto, muitas coisas podem ser encaixadas neste contexto para desenvolvermos temas imensos muito bons de conversar. Vou deixar para vocês, meus amigos, a oportunidade de refletirem sobre isso. Pensem, mas pensem refletindo. Desprendam-se de todos os seus preconceitos que lhes impedem de abrir-vos a cortina da consciência. Finalizo então este artigo com a indicação de um filme muito interessante. É uma prova, um fato comprovado da Reencarnação. É um filme que vocês entenderão melhor tudo o que falamos no artigo sobre a reencarnação e neste. O filme é: Minha Vida na Outra Vida (Yesterday Children).

Muita Paz!