domingo, 29 de julho de 2007

A Fé e a Razão

“Não há fé inabalável senão aquela capaz de enfrentar a razão face a face em qualquer época da humanidade”
(Allan Kardec)


Para alguns não há como unir a razão à fé, para outros o contrário é impossível. Mas eu ouso afirmar que uma não vive sem a outra. E vou tentar convencê-lo(a), por meio da razão, que estou certo.

Quando temos perguntas, submetemos automaticamente as respostas ao crivo da razão. Caso satisfaçam nosso intelecto, aceitaremos, caso contrário rejeitaremos. De acordo com o nosso avanço intelectual, precisaremos de respostas mais avançadas, pois o nosso conhecimento, bem como nossa capacidade de julgar, tornam-se maior.

De acordo com o nosso avanço intelectual aprendemos coisas que aprimoram a nossa razão. Passamos a raciocinar sobre as coisas da vida com mais senso, temos respostas mais sofisticadas às perguntas que antes eram respondidas de forma que o nosso pequeno intelecto pudesse entender. Por exemplo, a reprodução sexual. Dizer que a cegonha trás os bebês para as famílias no seu bico não é, atualmente para nós, racional.

Já ter Fé é acreditar firmemente em algo ou alguém, acreditar que esse algo ou alguém possa satisfazer as suas necessidades. Temos fé em nosso potencial de trabalho, temos fé em nossos pais, em amigos, etc. Sem a fé não teríamos em quê nos firmar, não teríamos em quem acreditar, confiar e expor as nossas necessidades. A fé é o fundamento da nossa vida. Todos têm fé, nem que seja em si próprio. E se essa fé não faz sentido, ela desaba.

Se nós utilizamos a razão para mudar a nossa fé na estrada da vida, por que não usamos a nossa razão para “mudar a nossa fé” com relação à religião?

Muitos dogmas foram quebrados no passado com diversos ícones da História. Jesus, Apóstolo Paulo, Lutero, Einstein, etc. Todos mostraram, embasados na razão, que é possível manter a nossa fé quando temos plena consciência e entendemos em que acreditamos. Entender em que acreditar nada mais é que julgar e compreender o que nos é proposto, e assim, satisfazer o nosso intelecto e consecutivamente a nossa razão.

Quando falamos da espiritualidade, achamos não ser possível unir a fé à razão, pois acreditamos que tudo que está fora da nossa esfera de conhecimento, não é racional. Eu antes diria que ainda não obtivemos conhecimento necessário para compreender o “sobrenatural”. Mas para isso precisamos alimentar o nosso conhecimento para que possamos julgar por nós mesmos, e não pela religião, as novas propostas que nos surgem.

Tomando como base o Cristianismo, podemos citar Jesus como o homem que mais quebrou barreiras e mudou a fé das pessoas com base em novos adventos da razão. Deus enviou a Moisés, ensinou para os homens daquela época que tudo era “olho por olho e dente por dente”. A idéia que os homens tinham de Deus era um ser parcial, devorador e cruel. Para o conhecimento espiritual daqueles homens, naquela época, foi a doutrina que satisfez a razão e conduziu-lhes por vários anos. Porém, mais tarde, Jesus foi enviado dizendo que Deus era infinitamente misericordioso, bondoso e ensinou a pagar o mal com o bem. Isso, de primeiro impacto, gerou um tremendo reboliço na mente da maioria das pessoas, que não compreendiam, pois não fazia sentido para aqueles corações endurecidos. Não satisfazia a razão pagar o mal com o bem. Com o decorrer do tempo, eles foram evoluindo intelectual e moralmente e acabaram entendendo que esse era realmente o caminho. Houve então a primeira grande quebra de paradigma. A abolição da Lei Mosaica.

A fé das pessoas já não estava alicerçada em um Deus parcial, cruel e devorador, mas sobre um Deus brando, humilde, caridoso e justo. Foi um despertar de consciência que veio como água fresca numa seca mortífera - a seca espiritual.

Hoje temos um leque de conhecimento do plano espiritual, provados e comprovados, que são incontestáveis. Milhares de literaturas sérias de caráter filosófico, científico e espiritual (Bíblia, Allan Kardec, Leon Denis, Chico Xavier/André Luiz, Herculano Pires, etc.). Temos a prova de que há materialização de espíritos, reencarnação, comunicação com o plano espiritual, vida após a morte, mediuniade, etc. Tudo está aí, para quem quiser ler e se instruir. Todos que têm humildade e sede de conhecimento obterão o conhecimento, julgarão o conteúdo, provarão, experimentarão e tirarão suas próprias conclusões.

Se hoje as pessoas negam tais fatos, é porque não adquiriram ainda o conhecimento necessário para alimentarem o seu intelecto e, infelizmente, acabam julgando com a razão de uma criança que ainda acredita que a cegonha trás os bebês em seu bico pelos ares.

Falando agora exclusivamente por uma abordagem espiritual, gostaria de parafrasear Jesus; o Mestre disse aos seus discípulos, perto de sua crucificação, que não revelara tudo a respeito do mundo espiritual porque estes não teriam ainda capacidade de compreender. O Mestre disse isso porque sabia da limitação intelectual dos discípulos na época, mas ele arrematou em seguida dizendo que mais tarde enviaria o Consolador, pelo o Espírito de Verdade, para revelar-nos tais coisas. Dito e feito. Através da Doutrina Espírita, que também é a ratificação do Evangelho, veio O Consolador pelo Espírito de Verdade (que é o próprio Jesus) com toda uma falange de trabalhadores espirituais nos ensinando o que já estamos prontos para entender até o momento.

Muitos ainda duvidam, atribuem tal conhecimento ao diabo, como sempre fizeram quando estavam presos aos dogmas do passado. Mas nada melhor que o tempo para fazer com que esse conhecimento já se entranhe na consciência da humanidade e que possam entender vários problemas que assolam a humanidade hoje e não se tem a causa.

Gostaria de finalizar explicando que não estou querendo mudar Deus para satisfazer a nossa razão, muito pelo contrário. Deus é imutável, bem como as suas leis. O que muda é a nossa percepção com relação a Ele, assim tornando nossa fé a cada dia mais inabalável, encarando a razão frente a frente em qualquer época da humanidade.

Gostaria de deixar uma pergunta para reflexão:

"Alguém poderia dizer saber tudo sobre o plano espiritual e mesmo sobre Deus, que ousaria afirmar que não há mais nada a ser revelado à Humanidade?"

Muita Paz!