domingo, 1 de julho de 2007

Desejo & Vontade: Uma abordagem filosófico-espiritual

Desejo: cobiça; propósito, intuito;
Vontade: potência ou faculdade interior, em virtude da qual o homem se determina a fazer ou não fazer alguma coisa; convicção;

Pela definição dada acima, qual a diferença básica entre o desejo e a vontade? Pense por alguns segundos. Que desejos você sente? E vontades? Entre o que você deseja e o que você tem vontade, qual dos dois é mais intenso? Qual que mais lhe instiga o Ser de realizá-lo? Sem dúvida, a vontade.

Deparo-me a cada dia com pessoas com muitas e boas intenções. Seja para trabalhar bem durante uma semana, para agradar a esposa, ajudar um amigo a executar um determinado trabalho, para fazer o trabalho de casa e, principalmente, para fazer o bem ao próximo. Elas têm o desejo, mas será que têm a vontade?

Durante minha vida, nesta existência, conheci poucas pessoas que realmente tinham vontade. Pessoas empenhadas em alguma atividade, seja ela de cunho pessoal, profissional ou religioso. Estas pessoas, que geralmente são exemplos, têm uma força interior que contagiam os que as circundam, têm uma tendência a serem revolucionárias e têm um perfil de liderança servidora, ou seja, lideram, em suas maioria, pelo exemplo.

Apesar destes sentimentos estarem sendo expostos per si, estão intimamente ligados, vejamos.
  • Para a Filosofia, o desejo é um sentimento que o homem carrega e que lhe induz a realizar algo que venha lhe trazer algum tipo de satisfação consciente, insconsciente ou reprimida.
  • A vontade é a capacidade da qual tomamos posição perante algo que nos aparece. Diante de um fato, podemos desejá-lo ou rejeitá-lo, de um pensamento negá-lo ou aceitá-lo.
A todos os momentos somos influenciados pelas vibrações espirituais, seja dos bons ou maus espíritos, onde cada uma se dá de acordo com a nossa evolução moral. Se temos tendência para o bem, as maiores influências são benéficas, caso contrário malévolas. Muitas vezes somos intuídos de sentimentos que nos geram desejos benéficos, e deixamos de praticá-los por falta de vontade. Um exemplo que, acredito eu, já tenha acontecido com muita gente é quando estamos andando na rua vimos uma pessoa que nos pede ajuda, sentimos algo dizendo dentro do nosso Ser para ajudá-la, mas não a ajudamos. De fato, sentimos o desejo. Caso tenhamos ajudado, o desejo tornou-se vontade.

Dadas estas definições e exemplos, convido-vos a pararmos e pensarmos um pouco... Façamos uma breve retrospectiva ao último artigo sobre o amor e, fazendo um mix com este, raciocinemos.

Nós vimos que o principal meio de alcançar algo de bom no final vida, seja o Céu, o Cosmos, a Inteligência Suprema ou qualquer outra coisa/lugar que você acredite ter após o seu desencarne, é que você seja um real praticante da caridade, em outras palavras, seja bom, seja moralmente superior às imperfeições da vida. Deve seguir o exemplo de seus líderes, no caso do Cristianismo (razão da minha fé) o exemplo do amigo Jesus Cristo. Praticar o amor, em toda sua completude, é difícil e complicado. Requer muito de nós. Para que possamos praticá-lo na sua essência precisamos do desejo do bem. Sentindo tal desejo já é um grande avanço, pois nem todos o tem. Mas existe um porém: só desejar praticar o bem não é o suficiente, tem que pô-lo em prática. Mas o que precisamos fazer para pô-lo em prática? Ter vontade!

Para termos esse tipo de vontade precisamos de algo um pouco mais complicado: a reforma íntima. Para alcançarmos essa reforma íntima temos que lembrar das palavras de Sócrates quando dizia: "Homem, conhece-te a ti mesmo". Com o conhecimento do nosso Ser, ou seja, de nós mesmos, olharemos sem o véu da arrogância os defeitos que agarraram-se a nós como ervas daninhas, olharemos as nossas imperfeições que suja a nossa vestimenta que tanto nos diferem dos grandes mártires que passaram pela Terra. Com a humildade notaremos a necessidade de mudança e agiremos, novamente, com desejo e vontade de mudar esse estado espiritual. Com esse desejo e vontade de mudança interior postos em prática, aí sim, estaremos aptos a começar a tentar praticar a caridade para com os outros, pois com o nosso "eu" fora de sintonia, sem amarmos a nós mesmos, não seríamos capazes de amar o próximo.

Reflita!

Que a Paz esteja convosco!